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31st March 2011

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atualiza essa bagaça, seu animal!

Walter Benjamin, crítico literário
A modernidade e os modernos
Análise da modernidade via as obras de Baudelaire, Balzac etc
O interessante é o tratamento dado as vestimentas:

“Baudelaire preocupou-se com esta inovação no Salon de 1845. Na observação final do seu pri- meiro escrito explica: “Entre todos será chamado o pintor, aquele que destaca o lado épico da vida presente e que nos ensina em linhas e cores como somos grandes e poéticos em nossos sapatos de verniz e em nossas gravatas. Esperemos que os autênticos pio- neiros do ano que vem nos dêem o prazer de poder festejar o nascimento de algo verdadeiramente novo”. No ano seguinte: “Por falar na roupa, o invólucro do herói moderno —… ela não deveria ter a sua beleza e o seu encanto próprio? Não será esta a roupa de que a nossa época precisa; pois ela ainda sofre e carrega em seus magros ombros pretos o símbolo de uma tristeza eterna.
O terno e a sobrecasaca pretos não têm apenas sua beleza política como expressão de igualdade geral — têm igualmente uma beleza poética como expressão da situação espiritual pública representada numa imensa procissão de papa-defuntos — papa-defuntos políticos, papa-defuntos eróticos, papa-defuntos particulares. Todos temos sempre um enterro a festejar. A roupa do desespero, quase toda igual, prova a igualdade… E as pregas na fazenda que fazem caretas e que se enroscam como cobras em volta de carne morta, não terão seu encanto oculto?”.
Estas idéias resultam da profunda fascinação que exerce sobre o poeta a transeunte vestida de preto de que fala o soneto.”(…)

“Em uma crítica à moda masculina, o democrata Friedrich Theodor Vischer, da Alemanha do Sul, chega quinze anos mais tarde a conclusões semelhantes às de Baudelaire. Apenas o seu destaque se modifica; o que em Baudelaire se encontra como nuance nas cores alvoroçantes da modernidade, apresenta-se em Vischer como argumento nítido na luta política. “Definir a sua posição”, escreve Vischer referindo-se à Reação que se estabeleceu desde 1850, “é considerado ridículo, ser enérgico é julgado pueril; porque então a roupa não era também incolor, frouxa e apertada ao mesmo tempo?”.(…)
“Acerca das mangas largas, caindo sobre o pulso da casaca diz Vischer: “Estas já não são mais braços, mas penas rudimen- tares, cotos de penas de pingüim, barbatanas de peixe, e movimento das roupas amorfas, ao andar, parece um tolo e simplório agitar-se, empurrar, correr, e remar ao mesmo tempo”.

Encerrando com chave de ouro:

“Mais claramente Baudelaire determina assim a face da mo- dernidade sem renegar na sua testa o sinal de Caim: “A maioria dos poetas que trataram de assuntos realmente modernos conten- tou-se com temas estereotipados, oficiais — estes poetas preocupa-pam-se com nossas vitórias e nosso heroísmo político. Mas fazem-no também de mau grado, e apenas porque o governo o ordena e lhes paga. Mas existem temas da vida privada muito mais heróicos. O espetáculo da vida mundana e de milhares de existências desordenadas; vivendo nos submundos de uma grande cidade — dos criminosos e das prostitutas — A ‘Gazette des Tribunaux’ e oiMo-niteur’ provam que apenas precisamos abrir os olhos para reconhecer o heroísmo que possuímos”.

Vai um auxílio terno ae ?!